Património Histórico e Cultural

Património Histórico e Cultural

CENTRO HISTÓRICO DA VILA DE VOUZELA
Para entendermos a existência de tantos edifícios arquitetónicos brasonados existentes nesta linda Vila, comecemos por referir que Vouzela era um ponto de cruzamento de várias estradas romanas, fazendo com que fosse obrigatório por aqui passarem as gentes que as trilhavam. Na Idade Média essas estradas foram utilizadas por almocreves para a realização dos seus negócios, a rua de S. Frei Gil, vulgarmente conhecida por Rua da Ponte, era denominada “a estrada do peixe”. Com a evolução dos tempos, Vouzela ficava na rota das cortes de Lamego sendo lugar de passagem e paragem obrigatória na viagem até Lisboa. No decorrer dos séculos, este fluxo de gente e a existência de algumas famílias ilustres nativas desta terra, deixaram até hoje vestígios da grandeza de outros tempos visíveis nos brasões das casas senhoriais, em toda a zona histórica.

IGREJA MATRIZ DE VOUZELA
A igreja de Nossa Senhora de Assunção de Vouzela é Monumento Nacional (decreto 8216 de 29 do VI de 1922). Guarda a memória de uma “baseliga” ou “monasterium” fundado na segunda metade do séc. XI por Cidi Davis – decerto moçárabe, que teria participado na reconquista cristã de Viseu (1058) levada a cabo por Fernando Magno, Rei de Leão. O edifício atual é românico – gótico, datado do séc. XIII. Pela sua raridade destaca-se a torre sineira, a anteceder a fachada da igreja. Com duas ventanas providas de sinos, protege a frontaria dos ventos e das chuvas provindas do poente.

IGREJA DA MISERICÓRDIA
Datada do séc. XVII e reedificada no séc. XVIII, é um característico exemplar da arte barroca. A frontaria é rasgada por três vãos de molduras rectilíneas e frontões curvos interrompidos. Entre os segmentos do frontão do portal, escava-se um nicho que abriga uma imagem de calcário policromada, de Nossa Senhora da Conceição.

CAPELA DE SÃO FREI GIL
Construída nos finais do séc. XVI, inícios do séc. XVII situa-se na Praça Conselheiro Morais de Carvalho. Singulariza-se pelo desenho caprichoso da fachada, reedificada na segunda metade do séc. XVIII, “estilo D. João V”; os cinco vãos incluídos na mesma moldura de cantaria, rocócó lembram um candelabro a iluminar o nicho central, onde a escultura calcária do orago exibe alguns dos atributos do seu poder taumatúrgico.

PONTE ROMANA
Ponte com arco semi-circular em cavalete, localizada na Rua de S. Frei Gil sobre o rio Zela. Embora frequentemente datada do período romano, esta construção deverá ser bastante mais recente (posterior ao séc. XVI). Os elementos que abonam em favor desta hipótese cronológica são o bom afeiçoamento do aparelho que a constitui, a ausência de marcas de forfex, o mau acabamento das partes laterais e, ainda que não determinante, a existência da base dum cruzeiro inserida no corrimão da ponte.

PONTE DO CAMINHO DE FERRO
A ponte férrea de Vouzela, sobre o rio Zela, datada dos finais de 1913 é hoje um dos símbolos da vila. A sua funcionalidade deu lugar à beleza, que se deve não só ao seu enquadramento, como à sua dimensão e estrutura. Com 15 arcos em alvenaria, esta construção, parte integrante da Linha do Vouga, está hoje convertida em zona pedonal e é um dos pontos de passagem para quem visita Vouzela. Esteve afecta ao tráfego ferroviário entre 1914 e 1990.

MERCADO MUNICIPAL
Localizado traçado pelo Arquiteto Raul Lino, na Avenida João de Melo e que se mantém até aos dias de hoje, é datado de 1927. Segundo a ata da sessão da Câmara de 3 de fevereiro, é referida a autorização do pagamento da telha para as obras do Mercado Municipal que andava em construção e na sessão seguinte é decidido “ultimar os trabalhos da casa n.º 3 do novo mercado para poder ser destinado a talho.”

EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO
O atual edifício enquadrado no jardim público e com uma das faces voltadas para a rua Sidónio Pais é datado de 1926. Tem paredes em alvenaria de granito com molduras em cantaria lavrada nos vãos das portas e janelas bem como nas cornijas, cunhais e escadaria exterior. A fachada principal apresenta um frontão com o brasão da vila de Vouzela. Do antigo tribunal só se aproveitaram as paredes exteriores que acabamos de descrever, todo o interior é novo e sofreu uma ampliação com um estilo semelhante ao existente embora menos trabalhado ao nível de cantarias, para se instalarem todos os serviços Camarários. Estas novas instalações entraram em funcionamento no dia 14 de maio de 1995.

EDIFÍCIO MUSEU MUNICIPAL
Antigo tribunal judicial é um edifício característico do tempo de D. João V (séc. XVIII) com janelas de frontão e avental. Por cima da porta ostenta o mais antigo brasão de Lafões e ao cimo rasga-se um nicho do “sino das audiências”. Este imóvel insere-se numa zona que terá tido grande importância na formação da vila, em frente à Capela de S. Frei Gil, na atual Praça Conselheiro Morais de Carvalho.

EDIFÍCIO DA BIIBLIOTECA MUNICIPAL
Este Imóvel insere-se numa das principais artérias da vila Vouzela, antiga Rua Direita, atual Rua Conselheiro Morais Carvalho. De grande interesse arquitetónico, apresenta um singular arco a meio da construção sobre o qual se destaca um escudo quadrado, de “Cavaleiro Fidalgo”, cujos elementos heráldicos correspondem a uma aspa ou santar, sobrepostos de um elmo voltado à esquerda e ornado de desenhos que serve de passagem pública para o Largo Conde Ferreira. Foi um antigo solar construído no início do século XVII, em 1639. Pertenceu ao Conselheiro Morais de Carvalho, que terá vendido o imóvel à Câmara Municipal para funcionar como Paços do Concelho, conforme aconteceu durante o século passado. Na década de 90 do século XX, o edifício foi alvo de adaptações para aí ser instalada a Biblioteca Municipal.

CASA DOS TÁVORAS
Situada na Rua de S. Frei Gil encontra-se esta construção quinhentista, que apresenta uma bonita e interessante construção. A família dos Távoras ficou para sempre ligada ao atentado contra D. José I que, segundo consta, manteria uma relação amorosa com D. Teresa Távora e terá sido após um encontro que o monarca foi atingido a tiro. Este incidente foi de imediato associado aos Távoras, embora não existissem provas a fundamentar tal ideia, a verdade é que após um processo judicial cheio de irregularidades e omissões, quatro membros da família foram condenados à morte e na sequência do mesmo atentado ordenou-se que o brasão da família, símbolo de poder e prestigio, fosse picado.

ESTÁTUA DE MORAIS DE CARVALHO
Alberto António de Morais Carvalho, nasceu na Vila de Vouzela a 22 de novembro de 1801 e faleceu em Lisboa a 15 de abril de 1878. Pertenceu ao conselho do Rei, foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deputado às cortes, ministro dos negócios eclesiásticos e da justiça, conselheiro do tribunal de contas, governador civil do distrito de Lisboa. Abraçou a revolução liberal da junta do Porto contra o governo de D. Miguel e abortando a revolução emigrou para Espanha, dali para Inglaterra e daí para o Brasil. Foi um cidadão benemérito, ilustre e de superior formação, pelo que os seus patrícios lhe erigiram em 1882 uma estátua na praça que tem o seu nome.

FONTE DA NOGUEIRA
É uma construção do séc. XVI, mandada construir por D. Luís filho, de D. Manuel I, por esse motivo, ostenta um brasão com as armas do Infante. No entanto, este fontanário está um pouco desvirtuado devido a obras realizadas posteriormente. Diz a lenda que esta fonte é um verdadeiro cupido, por isso, quem beber da sua água vai apaixonar-se por alguém de Vouzela e aqui casará.

FONTANÁRIO DA N.ª SR.ª DO CASTELO
As fontes como elementos construídos só começaram a aparecer, nos finais do séc. XIX, só na primeira metade do séc. XX, a sua construção é considerada muito importante. Na Mata do Castelo ao fundo da escadaria, ergue-se imponente um chafariz da autoria do Arquiteto Raúl Lino.

TORRE MEDIEVAL DE ALCOFRA
Torre medieval de planta quadrangular, localizada na aldeia de Cabo de Vila. O acesso ao seu interior era feito pelo lado sul, certamente por uma escadaria de madeira ou ferro que alcançava a porta ogival que se abre a 3 metros de altura do solo. No piso superior, o terceiro, possui janelas em todas as faces.

TORRE MEDIEVAL DE CAMBRA
Torre medieval de planta quadrangular, localizada num pequeno esporão entre os rios Couto, a sul, e Alfusqueiro, a norte. A entrada na torre era feita pela porta em arco ogival existente no lado sul. No interior são visíveis as marcas de três pisos. As escavações arqueológicas ali realizadas permitiram recuperar centenas de fragmentos de cerâmicas de potes, bilhas, pratos, etc. Dois potes recentemente restaurados encontram-se expostos no Museu Municipal. A construção desta torre terá ocorrido por volta dos séculos XII-XIII e a sua ocupação manteve-se até aos séculos XVI-XVII.

IGREJA PAROQUIAL DE CAMBRA
A igreja de Cambra é do séc. XVIII, com duas torres sineiras única no concelho. A fachada está coberta com azulejos posteriores à sua construção sendo que a data que aparece é de 1779. Encontra-se classificada como imóvel de interesse público através do decreto lei n.º 34452, art.º 2 de 20 de março de 1945.

TORRE MEDIEVAL DE VILHARIGUES
Torre medieval de planta quadrangular, localizada num outeiro a norte da aldeia de Vilharigues. Apenas subsistem duas das quarto paredes onde é possível observar no seu interior o negativo dos três pisos que possuía. Nas paredes exteriores tem dois mata-cães assentes sobre quatro mísulas. Recentemente foi alvo de obras com o intuito de a recuperar e valorizar.

ESTRADA ROMANA DO VAU
Este troço de via lajeada, com 1,40 km de extensão e largura média de 4,5 m, ligava Vouzela e as Termas de S. Pedro do Sul. Desenvolve-se junto à margem esquerda do Rio Vouga e fazia parte de uma antiga via romana que ligava as cidades de Viseu e Talábriga, nas imediações de Águeda, onde entroncava no importante itinerário do litoral entre Lisboa e Braga. Em Vouzela foi encontrado um marco miliário do imperador Tácito (275-276 d. C.), atualmente em exposição no Museu Municipal.

ESTRADA ROMANA FATAUNÇOS
Entre as aldeias de Carregal, Figueiredo das Donas, Bandavisses e Fataunços preserva-se um dos mais belos troços de via romana da vasta rede viária construída na área da citivas de Viseu. Este troço estava inserido na estrada romana que ligava a urbe Viseense ao litoral, passando pela região de Lafões entre as atuais povoações de Carvalhal do Estanho, Figueiredo das Donas, Fataunços e S. Miguel do Mato. A calçada lajeada, com uma largura que oscila entre os 3 e 4 metros, incorpora, por vezes, os próprios afloramentos graníticos. Apesar de ser bastante íngreme, ainda hoje é utilizada pelas populações quando se deslocam para as fainas do campo.

DÓLMEN DA LAPA DA MERUGE
Monumento megalítico de câmara poligonal com sete esteios e tampa de cobertura. No corredor são visíveis quinze esteios, nove do lado norte e seis do lado sul. A mamoa, apesar de não cobrir totalmente o monumento, encontra-se muito bem conservada.

NECRÓPOLE MEGALÍTICA DA MALHADA DE CAMBARINHO
Monumento megalítico com câmara e corredor. Na câmara sobrevive apenas um esteio, enquanto no corredor são visíveis onze, cinco do lado norte e seis no lado sul. Sobre dois esteios do corredor possui uma laje de cobertura. A exploração empreendida por Amorim Girão neste monumento, permitiu recuperar um pedaço de cristal de rocha, uma ponta de seta em sílex com a forma de loureiro, serrilhada e com base triangular, carvão, e fragmentos de cerâmica, alguns pintados a vermelho.

SEPULTURAS ANPROPOMÓRFICAS DA N.ª SR.ª DO CASTELO
As sepulturas escavadas na rocha constituem outro importante testemunho do povoamento existente em Lafões durante a reconquista. Para além dos documentos escritos, os únicos vestígios arqueológicos de povoamento do local são o par de sepulturas na rocha ali existentes, de planta antropomórfica com a cabeça em arco peraltado “a sepultura nº 2 é de um indivíduo muito jovem”.