Arrancaram ontem, dia 20 de março, as comemorações do Dia Mundial da Floresta, uma iniciativa promovida pelos municípios de Vouzela, Oliveira de Frades e S. Pedro do Sul e que decorre de 20 a 25 de março na região de Lafões. Na sessão de abertura, o vice-presidente do Município de Vouzela, Rui Ladeira, referiu que tem sido sempre preocupação da organização debater assuntos importantes para a proteção e valorização da floresta.
“Depois do Proder em 2010 e da AARC – projeto de valorização dos rios, e das centrais de biomassa, em 2011, em 2012 propomo-nos refletir sobre a doença do nemátodo e sobre a micologia, dois temas importantes que nos mostram também quais as oportunidades para a nossa região”, adiantou o vereador.
“Entendemos que este é um programa representativo de todos os setores da floresta, que aborda os seus problemas e que se destina a todo o tipo de público”, concluiu.
Enaltecendo também a qualidade do programa, o vice-presidente da Câmara de S. Pedro do Sul, Adriano Azevedo, deu nota de algumas preocupações relativas ao setor florestal, nomeadamente as falhas existentes no programa de apoios comunitários. “Não faz sentido que as medidas para investir na floresta, designadamente nas plantações, apenas tenham cofinanciamento de 50%. Na situação atual do país, penso que seria importante que essa percentagem pudesse subir para os 75%. A ser assim, haveria um incentivo razoável para que os produtores florestais e os proprietários pudessem disciplinar a floresta”, defendeu.
O autarca considera ainda que a estratégia para o desenvolvimento da floresta deve também ser integrada na ótica do mundo rural “e isto pode acontecer, primeiro, se os que viverem nele lhe derem a devida importância, e, em segundo, se o poder político perceber que o desenvolvimento sustentável do país passa também por apoiar o mundo rural, resolvendo um conjunto de questões que continuam adiadas”.
Para Adriano Azevedo era importante que desta iniciativa pudessem sair conclusões “apelando ao poder político e às diversas instituições que é preciso potenciar o mundo rural garantindo a sua sustentabilidade, criando emprego e combatendo a desertificação”, rematou.
Partilhando das mesmas preocupações, a vereadora da Câmara Municipal de Oliveira de Frades, Elisa Oliveira, destacou algumas das iniciativas do programa como as sessões de teatro, dança, a caminhada florestal e a exposição de viaturas e equipamentos dos vários agentes de proteção civil, ambas a acontecer no último dia do programa.
As atividades destinam-se à comunidade escolar, aos seniores, à ASSOl e ao público em geral.
Nemátodo do Pinheiro e Micologia foram os temas do seminário sobre a floresta de Lafões
Ainda durante a tarde, decorreu o seminário “Floresta de Lafões” onde foram abordadas as temáticas nemátodo do pinheiro e micologia na região de Lafões.
Relativamente ao primeiro painel, os técnicos da Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural e do Fórum Florestal esclareceram que o nemátodo do pinheiro é uma doença que apareceu, pela primeira vez, em Portugal, na região de Setúbal, em 1999, tendo-se dispersado nos anos seguintes e que se encontra, atualmente, em grande força na zona sul do país e em algumas zonas do norte.
Os sintomas apresentados pela doença começam pelo aparecimento de cloroses nas agulhas, levando ao amarelecimento da copa e a consequente morte da árvore. Atualmente, ainda não existem tratamentos eficazes para a erradicação da doença, sendo que a única medida a realizar é o abate de toda a zona danificada.
A doença começa por surgir a partir dos meses de março e abril, acontecendo o seu pico no período de verão, mantendo-se até setembro/ outubro.
Segundo os técnicos, o mais preocupante não é tanto a dispersão natural da doença, mas sim o transporte artificial por via da ação do Homem através da comercialização de material lenhoso.
Na região de Lafões, a doença ainda não está disseminada.
Ainda sobre a temática da micologia, num painel dinamizado por Jorge Abílio Marques, foi referido que se trata de um recurso pouco explorado em Portugal e que não existe um plano integrado para a valorização e aproveitamento sustentado dos cogumelos.
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